
IÑIGO
Lopes de Loyola, o futuro Santo Inácio, nasceu em 1491. Não se sabe o
dia nem o mês; presume-se, porém, que tenha sido por volta de 1º de junho,
festa de Santo Iñigo, Abade de Oña (Burgos) pelo fato de o terem batizado com
esse nome.
Iñigo era filho de Beltrán Ibánez
de Oñaz e de Marina Sánches de Licona, da linhagem Oñaz-Loyola, família
nobre de Guipúzcoa ou da "Província", como se chamou este território
até o século passado. Os Loyolas viviam numa casa-castelo que era residência
e fortaleza ao mesmo tempo, construída em pedra, como tantas outras do país
basco.
O duplo aspecto de lar e castelo
se explica pelas freqüentes guerras que enfrentaram as principais famílias
bascas entre si e, logo depois, com a Irmandade das Vilas, formada pelas
cidades que iam nascendo no fim do feudalismo.
Os Loyolas tinham sido sempre
bem belicosos e até mesmo ferozes nesses litígios. O avô de Iñigo foi
desterrado pelo rei por causa de uma destas brigas e obrigado a destruir a parte
superior da casa-castelo. Mais tarde, depois de perdoado pelo soberano,
permitiram-lhe reconstruir o andar superior com tijolos.
Nesta casa-fortaleza nasceu Iñigo.
Os tempos eram mais calmos, não, porém, sem algumas querelas, que levam séculos
para desaparecer, sobretudo num vale pequeno e fechado como o que forma o rio
Urola, em cujas margens se assentam as aldeias de Azpeitia e Azcoitia. A meio
caminho entre ambas ergue-se o solar natal de Iñigo.
Por volta dos seis anos, o menino perdeu a mãe. Seu pai, que morreu quando ele tinha dezesseis anos, abdicou de todos os seus bens e títulos, ainda em vida, em favor do filho Martín, que passou a ser senhor de Oñaz e Loyola. Martín não era o primogênito e sim Juan que, nesta altura, já tinha morrido na guerra milanesa.
O pai de Inácio, seu irmão
Martín e a esposa deste, Madalena de Araoz, foram os que cuidaram da educação
de Inácio, que desde cedo deve ter entendido que, sendo o último de uma família
tão prolífica, ia ter de construir o seu próprio futuro. Assim o entenderam
também seus outros irmãos que foram fazer fortuna na milícia (como Beltrán e
Ochoa) ou na América (como Hermando) ou na Igreja (como Pedro, que era
sacerdote).
A infância de Iñigo foi a de
um menino da nobreza, talvez um tanto mimado por sua condição de caçula e por
ser órfão de mãe. A educação religiosa que recebeu foi mais
"piedosa" que sólida. O oratório familiar da casa-castelo era
dominado por um entalhe flamengo representando a Anunciação, presente feito
por Isabel, a Católica, a Madalena, esposa do seu irmão Martín. Dizia-se ser
um quadro milagroso.
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Inácio entrega sua espada, para se tornar um soldado do Cristo. |
Iñigo recebeu a tonsura sendo
ainda quase adolescente, tornando-se, então, clérigo de "Ordens
Menores". Destarte, poderia receber um benefício eclesiástico, de caráter
econômico, vinculado a esta condição e título. Vê-se, entretanto, pelo
processo aberto contra ele em Pamplona, que seu comportamento deixava muito a
desejar. Das atas desse processo se deduz que seus costumes, seu modo de
divertir-se e seu penteado estavam longe de ser os de um "homem de
Igreja".
Não se sabe qual foi o delito
que Iñigo e seu irmão Pedro cometeram, num dia de carnaval; deve ter sido
suficientemente grave para fazê-lo fugir e recorrer à sua condição clerical,
a fim de escapar da acusação.
A impressão que deixam estas primeiras notícias de sua vida é que Iñigo era um rapaz um tanto aloucado, com inclinação para brigas e certamente muito cônscio dos privilégios que lhe vinham do seu nascimento e da sua condição de fidalgo.
O jovem
cavaleiro
Com quinze ou dezesseis anos, Iñigo
foi completar sua educação em Arévalo (hoje na Província de Ávila), na casa
de Don Juan Velázquez, Contador-Mor do reino de Castela. Como era amigo do pai
de Iñigo, ofereceu-se para acolher, como mais um filho seu, o caçula dos
Loyolas.
O adolescente deve ter se
sentido ali como em sua própria casa, rodeado dos filhos de Velázquez, alguns
dos quais teriam mais ou menos a mesma idade que ele. Com eles vive em
"grande estilo".
No palácio de Velázquez, veio
a conhecer os reis e a corte, desfrutando de todos os privilégios de alta
aristocracia da época e dedicando-se à "boa vida": caçadas, justas,
torneios, saraus, bailes, jogos de azar (baralho e dados) e aventuras galantes.
Anos mais tarde, já convertido em Inácio de Loyola, confessaria que era
"dado a vaidades mundanas" e que, naquela fase, cometeu
"aventuras de mancebo".
Gostava muito de música e de
baile, tinha mão muito boa para a caligrafia e deve ter lido um bom número de
romances de cavalaria, os "best-sellers" daquele tempo. Foram dez anos
de alegria juvenil, sem pensar muito no futuro.
Prova disto é o fato de que a
desgraça repentina que se abateu sobre os Velázquez pegou desprevenidos tanto
estes últimos como o próprio Iñigo. A morte de Fernando, o Católico, foi a
ruína daquela família. As primeiras medidas tomadas por Carlos I contrariaram
Don Juan Velázquez que viu, nessas decisões, um prejuízo para o patrimônio
real. Por isso ele chegou a usar até a oposição das armas. Derrotado e
sobrecarregado por dívidas, morreu em 1517.
Iñigo viu-se, então, sem
protetor. Não tinha nada. A viúva de Don Velazquez deu-lhe uma certa soma de
dinheiro e cartas de recomendação para o duque de Nájera.
Don Antonio Manrique de Lara, era um nobre em ascensão. O duque apostara no futuro imperador e era vice-rei de Navarra. Iñigo tornou-se homem de sua confiança, acompanhando-o em vários de seus empreendimentos e em visitas à corte. É possível que, então, sua atenção se fixasse na princesa Catarina de Áustria; os biógrafos do Santo pensam que ele faz alusão a ela quando diz, anos mais tarde, que tinha os olhos postos numa dama que era mais que condessa ou duquesa.
A serviço do duque de Nájera,
lutou contra os inimigos de Carlos I. Foi assim que esteve no assédio e
conquista da própria cidade de Nájera, que se rebelara contra o rei, mas não
quis participar do saque e pilhagem que se seguiram. O próprio duque o
encarregou de "acalmar" as aldeias Guipuzcoanas que também se tinham
sublevado. Deu mostras de ser bom diplomata, pois sua missão teve bom êxito.
Iñigo não era o que hoje chamamos de um militar, isto é, um soldado profissional. Era um nobre, um cavaleiro e, como tal, muito hábil no manejo das armas.
A guerra, naquela época, tinha
uma organização bem diversa das atuais. Assim, quando o rei de França decidiu
apoiar o exilado Henrique de Labrit, pretendente ao trono de Navarra, o vice-rei
reuniu tropas para defender o território. Entre outros muitos convocados,
encontravam-se Iñigo e seu irmão Martín, senhor de Loyola.
Na época destes acontecimentos,
Iñigo estava com trinta anos. Não se casara nem tinha patrimônio, além do
seu valor pessoal. Sem a inconsciência dos anos moços, continuava aspirando a
um lugar de honra na sociedade do seu tempo.
A perna quebrada
Inácio tinha uma tia freira
que, ao saber das correrias e encrencas em que se metia o sobrinho,
profetizou-lhe: "Enquanto não quebrares uma perna não mudas de vida,
pondo a cabeça no lugar". Mal sabia a boa religiosa que a profecia se
havia de cumprir. Iñigo foi ferido por um obuz no cerco de Pamplona e este foi
o princípio da mudança fundamental de sua vida.
As tropas francesas e navarras
que desejavam devolver o trono a Henrique de Labrit já estavam às portas da
cidade, antes mesmo que os partidários de Carlos I tivessem podido reunir forças
suficientes para enfrentá-lo. A população entregou-se sem resistência, mas
os homens do duque de Nájera, Iñigo entre eles, fecharam-se dentro das
muralhas da fortaleza.
A maioria dos sitiados,
incluindo o alcaide, ao ver a desproporção das forças, estavam inclinados a
se renderem sem lutar. Era simples suicídio fazer frente a um exército muito
superior em número e mais bem provido de artilharias. Iñigo, porém, não
estava de acordo com essa postura, que lhe parecia desonrosa. Convenceu, pois,
seus homens a não capitular.
Os canhões começaram a
bombardear a fortaleza em 20 de maio de 1521. Foi nesse ataque de artilharia que
uma bala de canhão atingiu Iñigo, quebrando-lhe uma perna e deixando a outra
muito ferida. Dia 24 de maio, a fortaleza rendeu-se, depois de graves estragos e
rombos nas muralhas e ao ver caído o heróico defensor que jurara lutar até a
morte.
Os inimigos reconheceram
cavalheirescamente o valor do caçula dos Loyolas e se ocuparam da saúde desse
adversário. Mas o estrago nas pernas fora grande; por isso, depois dos
primeiros cuidados médicos, aconselharam-lhe que voltasse à sua casa, onde
haveria mais facilidades do que numa praça de guerra.
De Pamplona o levaram a Loyola
numa padiola. Imagine-se o que terá sido uma viagem dessas! Com os ossos
quebrados e deslocados, cada passo ou movimento causavam ao ferido dores
insuportáveis.
Foi dolorosa também sua chegada
ao castelo. Iñigo regressava muito ferido, derrotado, ainda que mantendo
intacta sua honra de cavaleiro. Provavelmente seu irmão Martín não terá
deixado de lembrar-lhe que tinha sido um "cabeça dura", ao ficar em
Pamplona em vez de optar, como ele e o próprio duque de Nájera, por uma
retirada estratégica.
O estado do enfermo piorou. Os médicos
aconselharam uma operação para pôr os ossos no lugar, uma vez que estavam
deslocados talvez por causa dos trancos da viagem ou porque os médicos de
Pamplona não tinham feito bom serviço. Anos mais tarde, Inácio qualificou
essa operação de carnificina. Entretanto, deu mostras de grande resistência,
não proferiu um só grito, limitando-se a apertar os punhos.
A operação não deu resultado,
e Iñigo se viu às portas da morte, chegando a receber os últimos sacramentos.
Pensavam todos ser o fim. A má estrela de alguns de seus irmãos mais velhos
parecia pesar também sobre ele. Morrer aos trinta anos! Como um fidalgo, sim,
valente, e até ambicioso, mas sem realizar nada que salvasse seu nome do
esquecimento! Alguns poderão ter pensado: "Bem feito! Ele não fez mais
que divertir-se e gozar a vida. Na verdade, não se perde grande coisa!"
A grande
transformação
A morte não o levou. Já fora
de perigo. Iñigo notou que a perna quebrada ficara mais curta que a outra e com
um caroço que sobressaia. Coxo para o resto da vida? Nem pensar! Como poderia
montar a cavalo, realizar belas façanhas? Como poderia cortejar a dama dos seus
sonhos, sendo um ridículo manquitola?
Para eliminar essa deformidade, Iñigo exigiu e suportou uma segunda operação, não menos dolorosa que a outra. Depois passou meses deitado com molestos curativos e tendo de suportar pesos e outros mecanismos para esticar a perna.
Que faz um doente para passar o
tempo de repouso forçado? Fazia todo tipo de planos para o futuro, como ele
diz, pensando nas façanhas que realizaria a serviço da sua dama. Sonhava com
os meios que usaria para aproximar-se dela, as mesuras, as belas frases e
proezas guerreiras que lhe dedicaria.
Mas Iñigo se entedia. Toda a
fantasia do mundo não basta. Pede romances de cavalaria para distrair-se; como
não os houvesse no castelo, trazem-lhe "Vida de
Cristo" de Ludolfo de Saxonia e a "Vida dos Santos").
Começou a leitura de má
vontade, para matar o tempo e descobriu, com surpresa, que estava gostando.
Notou também que sentia paz e alegria ao fechar tais livros, ao contrário do
que acontecia quando cultivava seus sonhos cavaleirescos e guerreiros, que o
deixavam triste e frustrado. Essa diferença de humor o deixava perplexo.
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Visão de Inácio sobre o Cristo. |
Por outro lado, Iñigo tinha
visto de perto a foice da morte, o que o fez examinar sua vida passada. É o que
sempre acontece com doentes graves, quando têm tempo para pensar.
O balanço não era positivo. Na perspectiva de Deus, ele era um pecador e um mau cristão.
Ao calor de tais sentimentos,
suscitados por aquelas leituras piedosas, põe-se a meditar: "Que
aconteceria se eu fizesse o que fez São Francisco... e São Domingos?..."
Não lhe faltavam audácia nem coragem; isto era indiscutível! Destarte, fez
promessa do que lhe parecia mais difícil de realizar; ir a Jerusalém descalço,
comer só verduras e submeter-se às mesmas penitências feitas pelos santos, e
até maiores.
Seu raciocínio estava cheio de
um espírito ingenuamente competitivo: "São Domingos fez isto? Pois eu
também farei!" Se um homem foi capaz daquilo, por que não o seria ele?
Também neste ponto queria estar entre os primeiros.
Passam os meses de verão e outono; chega o inverno. Pouco a pouco seu coração se volta para Deus. Começa o trabalho de anotar certas passagens dos livros que lia. Põe-se, então, a copiar episódios de vida de Cristo, escrevendo as palavras de Jesus com tinta vermelha e com azul as de Maria.
Copiar, imitar: o propósito que
acalenta é assemelhar-se aos santos e, com isto, desponta já uma terna devoção
à pessoa de Cristo e à de sua Mãe.
Os irmãos de Iñigo, Martín e Pedro, bem como sua cunhada Madalena, estão preocupados: já não o houvem falar de proezas, amores e glória e, às vezes, surpreendem-no chorando ou totalmente absorto. Quando lhe perguntam o que tem, responde com evasivas.
Em princípios de 1522. Iñigo já
está quase restabelecido e anuncia sua partida. Diz que vai a Navarrete
encontrar-se com o duque de Nájera, para cobrar uma dívida. A família o vê
sair com apreensão... Que estaria tramando o caçula dos Loyolas?...
O velho homem, o
capitão, o amigo dos jogadores e das mulheres está morrendo e dando surgimento
a um novo Homem, com uma nova resolução: servir a Deus.
O homem do saco
Cavalgando uma mula, com seu irmão Pedro e dois criados, deixou Loyola a caminho do santuário mariano de Aránzazu. Lá, depois de agradecer pela cura, despediu-se de Pedro e tomou o rumo de Navarrete (Rioja), como dissera a sua família. Com o dinheiro do soldo recebido, pagou algumas dívidas pendentes; em seguida despediu os criados e, sozinho, encaminhou-se para Monteserrat.
Iñigo estava decidido a pôr em
prática o propósito concebido em Loyola. Havia três peregrinações que um
cristão podia empreender: Santiago, Roma e Jerusalém: a última lhe parecia não
só a mais custosa, pela distância, mas também a mais perigosa. A Terra Santa
estava nas mãos dos turcos infiéis; a situação política era tensa, com
perigo de guerra a qualquer momento. Em tais circunstâncias, ir a Jerusalém
era um risco certo.
Mas não iria como um nobre, protegido por seu dinheiro e posição social, mas como um peregrino desconhecido. A partir desse momento, ele começa a ocultar sua identidade. Não quer privilégios no trato, deseja começar uma vida nova e, neste empenho, via um empecilho na sua linhagem.
Enquanto ia de Ribeira para Aragão,
houve o incidente com o mouro que duvidava da virgindade de Maria. Sua
cavalgadura, mais sábia que ele, livra-o de um lance mau. Antes de chegar a
Montserrat, (o Mont-Salvat das lendas do Graal), em cuja
pendente e a uma altitude de 720 m encontra-se a abadia beneditina fundada em
1030, comprou pano de saco para fazer uma roupa de peregrino, bem tosca e
áspera, munindo-se também de um bordão e uma cabaça.
Chegou aos pés da Virgem (la
"Moreneta") por volta de 20 de março. Aí levou três dias preparando
uma confissão geral de toda a vida, sob a hábil direção de um dos monges
Beneditinos da abadia. Nas vésperas da Anunciação (24
de março de 1522), passou a noite inteira na igreja: foi sua "vigília
de armas", como cavaleiro de Deus. Ofereceu à Virgem a espada e o punhal,
doou a mula ao mosteiro e suas vestes a um mendigo.
De madrugada, às escondidas,
metido no seu saco de penitente, parte a pé, dirigindo-se a Manresa, a fim de
evitar o encontro com pessoas conhecidas que estavam na comitiva do nomeado papa
Adriano VI. Assim dá uma volta por Manresa.
Logo, porém, o alcançaram os
guardas de Montserrat, com o mendigo que usava suas roupas; ele salva o coitado
dizendo que não roubara nada, que fora ele que lhe dera as roupas. O incidente
perturba Iñigo por ver que sua generosidade pusera o pobre em perigo e também
por descobrir que, apesar de sua aparência, não pode ocultar sua origem e
condição.
Em Manresa aloja-se num albergue de mendigos, como mais um deles. Vive de esmolas com grande austeridade, decidido a acabar com sua aparência de fidalgo disfarçado: descuida seu asseio pessoal e castiga o corpo com severos jejuns. O resultado não tardou e os garotos de Manresa o batizaram logo de "o homem do saco", por seu aspecto desastrado. Mas não consegue ficar despercebido, porque logo lhe criam outro apelido; "O Homem santo". Começam a correr rumores fantásticos sobre sua identidade, as riquezas que deixou e os pecados que o levaram a tanta penitência...
Também não consegue fazer de
Manreza apenas um lugar de passagem, porque seu espírito começa a ser
assaltado por sentimentos contraditórios, o que o leva a dedicar longas horas
à oração e à leitura espiritual: além disso castiga seu corpo com
instrumentos de penitência. Mas nem assim encontra a paz, chegando a duvidar
das suas forças e da misericórdia de Deus: "Poderás agüentar esta vida
por muito tempo?... Será que Deus já te perdoou?... Um dia, quando a angústia
e a perplexidade atingiram o auge, chegou a pensar no suicídio, atirando-se por
uma janela.
Numa das grutas, na qual
costumava meditar e orar, às margens do rio Cardoner, Inácio experimentou em
Setembro de 1522 a sua mística Igreja Primitiva, como ele a chamava.
Parecia-lhe que ser santo era
algo que dependia só da sua vontade e das suas forças. É aí que ele
descobre: ninguém serve e agrada a Deus por sua própria conta, baseando-se
apenas em seus próprios planos e decisões.
Seja o que Deus
quiser
Foi tempestuosa aquela primeira
temporada em Manresa. Ele adquirira em Loyola o costume de anotar tudo quanto se
passava em seu espírito; começou, então, a perceber, relendo suas notas, que
as diversidades de estados de ânimo tinham um significado: Deus estava lhe
mostrando, por meio deles, a sua vontade. Havia até certos bons desejos que
camuflavam suas resistências a uma conversão sincera e profunda. Outras vezes
até os jejuns e penitências atrapalhavam sua oração em vez de ajudá-la.
Iñigo estava fazendo, sem o
saber, os seus "Exercícios Espirituais". Mediante a oração e a
contemplação dos Evangelhos, ia-se entusiasmando com a pessoa de Jesus,
assimilando suas atitudes e conformando toda sua vida com a do Cristo. A experiência
daqueles dias, cuidadosamente anotada em um caderno, será o germe dos seus
"Exercícios", um dos livros que mais influíram na Igreja.
Retificando alguns pontos, acrescentará aqui, cortará ali, mas, naquelas suas
notas, já está o método inaciano para encontrar a vontade de Deus e
entregar-se à Pessoa de Jesus Cristo.
Um dia, enquanto lia "Horas de Nossa Senhora" em voz alta, nas escadarias da Abadia de Montserrat sua compreensão elevou-se e ele percebeu o mistério da Santíssima Trindade, como uma harmonia musical, na forma de música de órgão. Esta experiência foi tão tocante que o fez chorar.
Em outra ocasião, vivenciou uma
onda de grande alegria espiritual, quando compreendeu a forma que Deus usou na
criação do Mundo. Viu algo brilhante de onde raios brancos eram emitidos, viu
que Deus estava criando Luz. Mas ele não pode explicar o fenômeno.
Um dia os olhos interiores de Inácio,
enquanto participava de uma missa na Igreja do Mosteiro, viram o momento em que
o corpo do Senhor (a hóstia) era levantado, o que pareciam ser raios de luz,
vindos de cima. Isto foi interpretado por ele como sendo a presença de Cristo.
Em Manresa, diz Iñigo, Deus o tratou como um professor trata seu aluno: ensinava-o a servir-lhe como ele desejava. Um dia, passeando às margens do rio Cardoner, teve uma grande iluminação interior. Tudo lhe pareceu novo e diferente, como se estivesse vendo coisas pela primeira vez.
Copiar, imitar... Em Loyola acreditava que nisto consistia a vida cristã: ser como os santos, imitar Jesus. Agora descobre que cada homem tem uma vocação concreta e particular e que Deus no-la mostra de muitos modos. O cristão deve descobrir e realizar esta missão que Deus lhe confia.
E qual era a sua?... Iñigo
continua a pensar na viagem a Jerusalém, já não tanto para cumprir uma grande
façanha, mas por tratar-se da terra de Jesus. Se vive pobre, livre de
compromissos materiais, já não é por penitência, mas porque Cristo viveu
assim. E começa a ajudar os outros, a cuidar dos doentes e necessitados,
inclusive em suas necessidades espirituais... porque Jesus curou, pregou e nos
livrou de nossos pecados.
O peregrino entrega-se a Deus,
disposto a seguir suas inspirações a cada momento. Não sabe aonde estas o
levarão, mas enquanto não estiver certo de que lhe pede outra coisa, irá a
Jerusalém. Até sonha em morrer lá, como Cristo, anunciando aos infiéis o
Evangelho. Passou quase um ano em Manresa, hospedando-se em diversas casas e
passou certo tempo no convento dos Dominicanos. Também se retirava a uma gruta
para rezar e fazer penitência. Neste local ergue-se hoje uma igreja dos jesuítas.
O mais importante, porém, é que começou, por meio de conversas, a ajudar
espiritualmente as pessoas que desejavam ouvi-lo.
Em Barcelona embarcou para a Itália,
depois de conseguir passagem gratuita num navio. O capitão, porém, exigiu que
ele levasse provisão consigo. Isto causou um certo escrúpulo em Iñigo, que
preferia confiar-se cegamente às mãos de Deus; mas um bom confessor lhe deu a
solução: iria mendigar nas ruas o alimento para a viagem.
Em 16 de março de 1523, um ano
depois de sair do seu castelo, fez-se ao mar, só e pobre. Ninguém reconheceria
naquele peregrino de aspecto macilento o elegante e aprumado fidaldo dos Loyolas.
Em Julho de 1523 parte para
Palestina, a bordo de um navio veneziano. Lugar gratuito conseguido através de
Andrea Grittium.
A nova
vida de Inácio
Depois das
experiências de Manresa e Jerusalém Inácio deu inicio aos estudos avançados
que culminaram com o recebimento do título de Mestre pela Universidade de Paris
em 1534.
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Em 1539 Inácio e seus seguidores decidem formar uma nova Ordem. O
Papa aprova o plano, |
No dia 15 de Agosto de 1534, Santo Inácio e seis companheiros (Pedro Fabro, Francisco Xavier, Afonso Salmerón, Diogo Lainez, Nicolau Bobadilla e Simão Rodrigues) fizeram na Igrejinha dos Mártires de Montmartre, os votos de "pobreza, castidade e obediência". Pedro Fabro o único sacerdote do grupo celebrou a Eucaristia, durante a qual foram emitidos os votos.
Em Janeiro de 1537, Inácio encontra de novo seus seis companheiros em Veneza. Enquanto esperavam a partida do navio dos peregrinos para Jerusalém trabalharam no hospital de Veneza.
Em 24 de Junho
de 1537 recebe a ordenação sacerdotal em Veneza. Em fins de Setembro do mesmo
ano teve de reconhecer que a desejada peregrinação à Terra Santa se tornara
impossível, por causa da guerra entre Veneza e os Turcos. Por isso,
determinou-se a ir a Roma, juntamente com Fabro e Lainez, para colocar-se à
disposição do Papa. A fins de Outubro de 1537, os peregrinos da Companhia de
Jesus entravam na cidade papal de Roma.
Um pouco antes de chegar em Roma, na capela de la Storta, Santo Inácio estando em oração, teve uma visão da Santíssima Trindade e ouviu do Pai estas palavras: "Eu vos serei propício em Roma", Santo Inácio ouviu ainda como o Pai dizia a Cristo: "Quero que tomes este ao teu serviço".
Em 1539 Inácio
e seus seguidores decidem formar uma nova Ordem. O Papa aprova o plano,
resultando no estabelecimento da "Companhia de Jesus" (os jesuítas).
Desde Fevereiro
de 1541, a nova Ordem viveu numa casa ao lado da Igreja de Santa Maria degli
Astalli. Em 1544, nesse mesmo lugar, foi construída a antiga casa professa, na
qual Santo Inácio recebeu três pequenos quartos.
Manteve o
posto de geral dos jesuítas até 1552. Serviu durante o tempo em que houve uma
grande expansão mundial da Companhia. Foi nesse período que completou a
Constituição da Ordem.
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Vida
de Inácio de loyola
O
despertar espiritual de Inácio
Aos
32 e sobre uma mula
Manresa
Experiências
em Manresa
A
nova vida de Inácio
Consolação
e Desolação Espiritual
Quando estiver desolado,
seja paciente. Acredite que em breve tudo passará e novamente estará
consolado.
Treinamento
da vontade
Regras
/ leis da vontade
Passos
do treinamento da vontade
Objetivos
da vida

Horário
diário 5:45
Acordar - Banho.
6:00 Exercícios Espirituais Matinais - Meditação.
6:30 Determinar objetivos a serem atingidos durante
o dia.
6:45 Café da manhã.
7:15 Sair para o trabalho, etc.
12:30 Exame de Consciência - Analisar eventos do
dia - Atuação x Objetivos? Prometer a mim mesmo melhorar.
19:00 Serviço Doméstico, relações com a familia.
21:00 Preparação para meditação (meditação
principal) Meditação.
22:15 Análise Crítica dos eventos do dia. Os
objetivos do dia foram atingidos? Prometer fazer melhor amanhã.
23:00 Dormir
Exame
clássico de consciência de Inácio
Processo
diário do "viver consciente"

Exercícios
para ativar a vontade
Método
inaciano de tomada de decisão Este método
consiste em:
Tomando
decisões: regras
A
melhor hora para julgar uma decisão
Teste
de uma boa decisão
Regras
para o discernimento espiritual
A
arte do discernimento dos espíritos
Os
exercícios espirituais
Correspondência
pitagórica clássica dos exercícios
espirituais

Esquema dos fundos submarinos

Imagem
dos fundos Submarinos: Vai nos
ajudar a explicar as noções de Pressentimento, Certeza e de Evidência. 1.
A superfície da água é o nível da Consciência. 2.
O Ser não emergiu à consciência. Está mergulhado no inconsciente.
Portanto, impossível de se apoiar sobre ele para viver. 3.
É preciso enfrentar a vida. Então, fabricam-se jangadas para viver: 4.
5
e 6.
7.
a. a gente se agarra ao que os outros dizem
de nós ou aquilo que nos dizem para fazer.
b. às vezes, a gente constrói um mundo
imaginário no qual se refugia quando a vida é muito dura. Tudo isto é
muito precário e frágil.
Meditações
tradicionais de Inácio
Um
esquema mais universal das meditações
Usar
as Faculdades da Alma:
Votos
Exercícios
Espirituais de Sto. Inácio de Loyola Fundamento:
para atingir o fundamento de qualquer exercício espiritual o
estudante deve ativar sua vontade e concentração. 1
Semana: Contemplação dos Pecados, através desta
contemplação o estudante conheceseu "Inferno Astral". Entendimento dos Sentidos. Silêncio
Corporal e Mental. 2
Semana: "Os Dois
Estandartes" 2
Semana: "As Obras do Filho" Exercícios
Espirituais de Sto. Inácio de Loyola
3
Semana: "Por Ele, com Ele e
Nele". 3
Semana: "O Espírito". 4
Semana: "Mistérios da Ressurreição". 4
Semana: "Contemplação".

Reverência - entendimento
Usar como base os 5 sentidos: Ver, Ouvir, Cheirar, Degustar
e Tocar.
Consolação e Desolação
Via Purgativa

Ver e entender os opostos, o Binário dentro
de cada um.

Utilizar os 5 sentidos encima da
Contemplação da Alma.
Esta Contemplação é feita sobre passagens
Bíblicas pre determinadas pelo próprio
Inácio de Loyola

Identificação e incorporação dos sentimentos do
Filho pelo Pai.
Cristo doloroso
Paixão e Crucificação de Cristo

"Calor" que a alma sente quando se une
ao Espírito - Regeneração.
Sentir e alcançar o Amor Universal.
O Amor do homem deve estar mais nas suas
obras do que nas suas palavras.
Três formas de Orar.
Análise das Sagradas Escrituras
pelo terceiro método de Oração.
Na Segunda
Semana
Na
Terceira Semana